SomVinil no Show do Eric Clapton em São Paulo

Foto: AE
4 e 46 da tarde do dia 12 de outubro, na porta do Morumbi, bateu um desespero daqueles que a gente diz: “Fodeu…”. Não tinha ninguém na fila do show de um dos maiores guitarristas do nosso tempo. Ninguém. Na verdade três garotos com a camisa do Rush estavam correndo no zig zag das cercas de acesso. Mas fora eles nada. Daí veio aquele pensamento tenebroso “Todo mundo entrou e agora vamos ver o show lá de trás”.
O surto passou assim que chegamos ao nosso setor e vimos apenas um pequeno grupo de quarentões bem em frente ao palco. Ficamos ali, ao lado deles e esperamos o show começar. O tempo ameaçava uma chuva esquisita, mas isso não intimidou ninguém… Poderia chover guitarras de fogo e ninguém moveria um dedo de onde estava.

Gary Clark Jr. acompanhou Clapton em sua turnê pelo Brasil
Não demorou muito mais para o Morumbi estar atulhado com 45 mil pessoas. 8 da noite e as luzes se apagaram. Gary Clark Jr e banda sobem no palco. O primeiro toque nas cordas inunda o estádio com uma distorção de trincar os ossos. O texano abre a noite com “When my train pulls in”. A noite começava com uma performance elétrica e visceral do garoto de 27 anos, recém apadrinhado por Sir Clapton. Depois de relembrar “Lowell Fulson” com “3 O’clock Blues” a apresentação terminou com “Bright Lights”, o hit que dá nome ao seu último EP. Pra falar pouco, a abertura de Gary Clark Jr. foi um dos pontos altos do show do Clapton em São Paulo.
Breve intervalo. Depois de 6 cervejas, 2 corridas ao banheiro e um “chiuaua” morno de 8 reais estávamos preparados para ver a Majestade do Blues Inglês, que veio ao palco trazendo sua fender azul às pontuais 9 horas da noite. O Morumbi ficou pequeno. Key to the highway marcou o começo de um dos melhores shows das nossas vidas. Sem perder a tensão seguiram Tell the truth, a clássica Hoochie Coochie Man do mestre Muddy Waters e uma versão fodasticamente imperial de Old Love (confesso, chorei). Clapton destilou toda sua habilidade maturada em cada uma das músicas do setlist. Entre os hits tocados a versão jazzy de Layla merece nota (alta) e lá pro fim do show Cocaine fez todo mundo se levantar das cadeiras.
Entre palmas, choros, lágrimas e gritos veio o bis com Gary Clark. No palco, duas gerações do blues compartilharam as improvisações em Crossroads do senhor Bob Johnson. Guitarras desplugadas, nos sentamos e esperamos, ainda chapados por tudo que ouvimos, o Morumbi murchar. Na volta pra casa, pulsa a impressão de que esse show ficaria presente por toda nossa vida, sendo revivido em cada guitarra que por ventura solasse na nossa história.
Por Luiz Fernando Santos.
- DAVI MIGUELITO
- 20/10/2011
- Publicado em
