Os 10 momentos decisivos que mudaram a história do rock
O que seria do rock sem aquele disco que influenciou todo mundo, aquele show que ninguém esquece, aquele instante em que uma pessoa comum tornou-se o herói dos jovens mundo afora? A seguir, dez melhores momentos dessa história. Por Giancarlo Lepiani
10. Junho de 1967: os Beatles lançam ‘Sgt. Pepper’s’
Da famosa capa, criada pelo artista Peter Blake e fotografada por Michael Cooper, às suas treze faixas, gravadas ao longo de 129 dias nos estúdios Abbey Road, em Londres, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band é o álbum mais influente da história do rock. Seu lançamento teve impacto imediato: as inovações sonoras apresentadas em canções como A Day in the Life e Lucy in the Sky with Diamonds causaram espanto. Mas o disco ficou longe de ser uma obra prima incompreendida por estar muito à frente de seu tempo — apesar de marcar uma notável evolução, virou grande sucesso em quase todo o mundo. Ruim, só para as outras bandas — afinal, quem mais conseguiria gravar um álbum tão genial?
9. 5 de junho de 1983: o U2 filma seu show mais importante
A banda mais importante dos anos 80 explodiu de vez graças a um show marcado para o anfiteatro Red Rocks, um palco a céu aberto aos pés das Montanhas Rochosas. Mas a apresentação antológica do U2 no local em 1983 quase não aconteceu. Os organizadores queriam cancelar o espetáculo por causa de uma tempestade. O empresário da banda, Paul McGuinness, insistiu — a banda sonhava em tocar ali e apostava todas as suas fichas no show. Tanto que o U2 colocou dinheiro do próprio bolso — 25.000 dólares — para filmar a apresentação. As imagens registradas naquela noite deram origem ao vídeo Under a Blood Red Sky, que virou campeão de vendas — e o clipe de Sunday Bloody Sunday ao vivo no Red Rocks tornou-se um fenômeno da MTV. A própria banda admite: o extraordinário sucesso internacional do U2 teve em sua origem o show inesquecível de junho de 1983.
8. 17 de agosto de 1991: Nirvana grava clipe ‘Smells Like Teen Spirit’
No começo dos anos 90, o rock andava mal das pernas: entre as bandas de maior sucesso no rádio e na MTV, reinavam os astros do chamado hair rock, com muita pose (e maquiagem) e pouca música. A década, porém, seria marcada por uma renovação do gênero — e a faísca inicial desse movimento ocorreu em agosto de 1991, num estúdio de Culver City, na Califórnia. Lá, um trio vindo da chuvosa Seattle, no extremo noroeste dos EUA, gravava o videoclipe de seu primeiro single por uma grande gravadora. Smells Like Teen Spirit, primeira faixa do álbum Nevermind, seria o cartão de visitas do Nirvana fora do meio indie. Dirigido pelo estreante Sam Bayer, o clipe começou a ser exibido de forma quase incessante na MTV americana a partir de outubro de 1991. Em janeiro de 1992, Nevermind já era o álbum mais vendido dos EUA (e, na esteira do fenômeno Nirvana, surgiam para o grande público bandas como Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains). Desde Smells Like Teen Spirit, o rock recuperou a boa forma — e é impossível dizer se isso teria acontecido sem o sucesso do clipe.
7. Janeiro de 1966: Brian Wilson perde a cabeça — e ganha inspiração
Lembra da décima posição da lista? Pois o próprio Paul McCartney admitiu que Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi fortemente influenciado por Pet Sounds, dos Beach Boys. E o álbum mais importante da trajetória da banda, presença inevitável em qualquer ranking de melhores discos da história, surgiu de um drama pessoal de Brian Wilson, o líder do grupo. No início de 1966, enquanto a banda partia para uma turnê no Japão, Wilson ficava em casa — ele sofrera um colapso nervoso e não conseguia mais fazer shows. Também estava com bloqueio criativo — e a pressão da gravadora Capitol por um novo álbum só piorava seu estado mental. Foi quando Wilson recebeu em casa o amigo Tony Asher — um compositor de jingles — e, com a ajuda dele, começou a esboçar algumas novas canções. Asher mal conseguia acreditar: enquanto ficava cada vez mais pirado (chorava sem parar assistindo ao seriado Flipper e só se alimentava de coquetel de camarão), Wilson escrevia canções cada vez melhores. O disco virou um clássico — e Brian Wilson acabou conseguindo controlar suas loucuras.
6. 13 de julho de 1985: o Live Aid arrecada US$ 40 milhões
Hoje, o rock com causas sociais, políticas ou humanitárias virou clichê. Mas não era assim décadas atrás, quando a imagem dos astros do gênero era bem menos respeitável. Tudo mudou em julho de 1985, quando Bob Geldof idealizou o maior festival beneficente da música pop mundial. Realizado em dois continentes, o Live Aid reuniu mais de 60 artistas consagrados para arrecadar dinheiro para os países mais pobres da África. De um lado do Atlântico, no estádio JFK, na Filadélfia, Eric Clapton, Bob Dylan, Beach Boys, Madonna e Robert Plant; do outro, no estádio de Wembley, em Londres, Paul McCartney, David Bowie, Elton John e Queen. O festival arrecadou cerca de 40 milhões de dólares, mas seu maior legado foi outro — a partir do Live Aid, os grandes astros se convenceram de que não custava nada usar a fama para ajudar os outros.
5. Julho de 1975: os Ramones inauguram o punk
Um minúsculo clube de Nova York foi palco de uma revolução em julho de 1975 — e ela durou apenas dezessete minutos. Nesse curto período, quatro garotos de uma banda local tocaram nada menos que vinte músicas. De quebra, inauguraram um dos principais subgêneros do rock. Afinal, é quase consenso que o momento que marcou o início do punk foi justamente a antológica apresentação dos Ramones no CBGB. Parte de um festival que pretendia reunir as 40 melhores bandas desconhecidas de Nova York — entre elas estavam Blondie, Talking Heads e Television -, o tosco show dos Ramones deixou a plateia desorientada: ninguém entendeu direito. Mas o impacto da apresentação foi tão grande que rendeu à banda um contrato para gravar seu primeiro disco (custo total da gravação 6.400 dólares). Lançado o álbum, os Ramones partiram para uma turnê europeia. A passagem deles por Londres inspirou a criação de bandas como Sex Pistols e Clash — e deu a partida para o fenômeno do punk rock no mundo.
4. 25 de julho de 1965: Bob Dylan em versão elétrica
Ele era o jovem poeta da música americana, um sujeito tímido e misterioso com um violão na mão. Mas em 25 de julho de 1965, Bob Dylan subiu ao palco do Newport Folk Festival, em Rhode Island, em versão “plugada”. Ao invés do violão, segurava uma Fender Stratocaster. E provocou espanto ao ligar os amplificadores e disparar um repertório completamente elétrico num festival conhecido por reunir puristas do folk acústico. O lendário show de Dylan em Newport durou apenas dezenove minutos, tempo suficiente para ele soltar três petardos em altíssimo volume – e sair do palco em meio a gritos e xingamentos. O astro do folk Pete Seeger ficou tão irritado que admitiu: queria ter cortado o fio do microfone de Dylan. Ele ainda voltou ao palco, agora com seu velho violão, para tentar se redimir da ousadia. Mas já era tarde demais: Dylan tinha enfim revelado seu lado rockstar, inaugurando uma fase de sua carreira que influenciou quase todas as bandas surgidas nos anos seguintes.
3. 15 a 17 de agosto de 1969: Woodstock, o maior festival da história
Uma fazenda em Bethel, cidade próxima a Nova York, foi o palco do festival mais famoso da história do rock, o principal marco da geração paz e amor. O festival de Woodstock reuniu cerca de 450.000 pessoas (número muito maior do que se previa, o que transformou a tarefa de organizar a multidão num pesadelo). Além de ouvir música, era a hora de levantar a bandeira da liberalização dos costumes e promover a contracultura. Numa década que assistiu à chegada do homem à Lua e ao assassinato de John Kennedy, entre outros acontecimentos extraordinários, Woodstock é sempre lembrado — o que mostra o tamanho da importância do festival e a força de suas memórias na geração que viveu essa experiência.
2. 6 de julho de 1957: o encontro de John Lennon e Paul McCartney
A igreja de St. Paul, em Woolton, subúrbio de Liverpool, na Inglaterra, foi o palco de um show histórico — não pelo que aconteceu no palco, onde uma banda semi-amadora chamada Quarrymen fez uma apresentação pouco memorável, mas sim por um encontro que aconteceu pouco depois. John Lennon, um dos integrantes do grupo, tinha um amigo chamado Ivan Vaughan — e Ivan também era amigo de Paul McCartney, que estava na plateia naquele dia. John e Paul foram apresentados, e o resto é história — engataram uma conversa, descobriram que gostavam das mesmas músicas, ficaram amigos, começaram a tocar juntos, montaram a maior banda de rock do mundo e formaram a melhor dupla de compositores que a música popular já viu.
1. 5 de julho de 1954: Elvis Presley grava ‘That’s All Right’
Era uma segunda-feira à noite na Avenida Union, 706, em Memphis, Tennessee, sul dos Estados Unidos. Um caminhoneiro de 19 anos gravava covers de músicas românticas e sucessos country no estúdio Sun, do empresário Sam Philips. Numa pausa entre as gravações, o jovem músico começou a tocar um velho blues, composição do guitarrista Arthur Crudup. Scotty Moore, na guitarra, e Bill Black, no baixo, o acompanharam — mas o cantor acelerou o andamento da canção e imprimiu seu próprio estilo à música. Era o início de uma revolução. Elvis Presley, um caipira branco, tocava a música dos negros, mas ao seu próprio modo. E a gravação de That’s All Right, lançada como single exatamente duas semanas depois, entrava para a história — é considerada o marco inicial do rock, o primeiro registro da música que mudou o mundo.
Vi no Veja 10+
- DAVI MIGUELITO
- 20/01/2011
- Publicado em



22 jan 11 às 01:47
Muito bom o post, tá de parabéns cara, até vou adquirir o “Pet Sounds”
22 jan 11 às 04:17
momento mas desisivo pra mim foram 2, lançamento de um disco escuro e vazio em 1970 e uns ingleses cabeludos com letras estranhas fazendo um blues pesado..
22 jan 11 às 09:35
Bom post, gostei.Abraço.
22 jan 11 às 14:11
[...] This post was mentioned on Twitter by Daniel Dagostim, CasaNova Produções. CasaNova Produções said: [curiosidades] Os 10 momentos decisivos que mudaram a história do rock « SomVinil http://bit.ly/e03DQ5 [...]
22 jan 11 às 15:06
Você colocou os beatles em segundo e décimo lugar?Que tipo de rock você está falando?
22 jan 11 às 16:01
E a criação do Heavy Metal, onde está?
22 jan 11 às 16:12
Parabéns pelo post cara! Muito bom mesmo. Só resta esperar pelo próximo momento do rock na atualidade, já que ele não anda mal das pernas e sim está tetraplérgico.
Ps: Lucy in the sky with diamonds, ouço muita gente falar dessa música. E sinceramente, é a pior música que eu já ouvi. Tem muita coisa dos Beatles muito melhor por aí.
22 jan 11 às 16:33
tirando o lixo do nirvana ate que a lista não ´totaçmente ruim
22 jan 11 às 16:37
TOM disse:
22 de janeiro de 2011 às 16:01
E a criação do Heavy Metal, onde está?
vc leu a postagem? fala de ROCK nao metal….alias nem te conheço mas aposto que deve serfã dew iron ne´?
a banda mais poser que tem, depois do slipknot claro
22 jan 11 às 16:38
Porque criam listas? Para gerar debates? Esntão tá! E o Led Zeppelin? o Black Sabath? o Metallica? Criadores de estilos e de legiões de fãs, revolução é o que?
22 jan 11 às 17:28
Momento número 0
Restart se revela e fode tudo.
22 jan 11 às 21:39
Esse show dos Ramones no CBGB é muito massa
22 jan 11 às 23:43
Cade A EsTORia do Restart ?? Cade?
cADE?
CADd/eD?e?dE?dE???????
iriariairiairiairiairirar
/esqueceu de falar da morte do kurt y_y foi um marco…. !!!1
23 jan 11 às 01:19
MUITO BOM O POST, MAS ACHO QUE FALTOU A BANDA THE RUNAWAYS.
23 jan 11 às 04:10
Não estão falando de heavy metal apesar de ser uma vertente do rock, assim como o grunje do nirvana ser mencionado ali não foi uma variante tão destorcida das origens do rock, alias pra quem falou que nirvana é lixo só pode ser um poser que não tem opinião própia e diz que não gosta só porque fez suceso nos 90 tenho nojo de pessoa assim os lígitomos do contra, mesmo gostando. falaram do hair rock pra mim seria hard rock ex: guns n roses pelo menos fumavam e bebiam e pegavam mulher um dos simbolismo do rock e da eterna atitude jovem mesmo que incosequente as vezes, já hoje em dia restart =(colorido e rock alegre feliz), paramore =(filme de adolecente com vampiros gay)isto é rock???
24 jan 11 às 17:23
NIRVANA NÃO ACRESCENTOU NADA DE BOM Á MÚSICA. ANOS 90 FOI UMA PORCARIA POR CAUSA DELE. BOTEM NA CABEÇA: NIRVANA É PORCARIA DO INÍCIO AO FIM.
26 jan 11 às 12:40
[...] U2 was formed in 1977 when fourteen year old Larry Mullen Jr. posted a notice on his school notice board seeking musicians for a new band. They were called Feedback and The Hype before settling on the name, U2. On St. Patrick’s Day 1978, they won a battle of the bands using the prize money to record a demo which impressed Paul McGuinness enough to become their manager and they were subsequently signed to CBS Records. Island Records signed the band in early 1980, their UK debut, 11 O’Clock Tick Tock was well received by the critics but failed to chart. Their debut album, Boy, was released to critical acclaim and included their first hit single, I Will Follow. Their subsequent tour of Europe and America, these live shows revealed U2’s potential with Bono’s passion and the band’s musical prowess. October, their second album was released in 1981, it was a much more mellow and spiritual record than their debut reflecting the Christian beliefs of Bono, The Edge and Larry Mullen Jr. The album met with a lukewarm reception form the critics and it received limited radio airplay. However, their subsequent album, War was acclaimed by critics and was a commercial success, it entered the UK charts at number 1. They recorded the live album Under a Blood Red Sky on the War tour, it received extensive play on radio and MTV bringing the band to a wider audience. The Unforgettable Fire was released in 1984, produced by Brian Eno and Daniel Lanois; it displayed a more complex, polished and mature sound. The first single, Pride (In the Name of Love) was their biggest hit at that point and illustrated the passion, idealism and humanity of the band. That year they played Live Aid, Self Aid, became involved with Amnesty International and contributed to Little Steven’s anti-apartheid single Sun City. Their following LP The Joshua Tree confirmed U2 as one of the biggest bands on the planet reaching number 1 in twenty-two countries, remaining at the top spot in the US charts for nine weeks and putting them on the cover of TIME magazine. The documentary Rattle and Hum featured footage recorded from the subsequent tour, they also released an accompanying LP of the same name, from which the single Desire gave the band their first UK number 1. Achtung A great related post about this: http://www.somvinil.com.br/os-10-momentos-decisivos-que-mudaram-a-historia-do-rock/ [...]
28 jan 11 às 21:34
Gosto de Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, STP, mas tenho que admitir que o Glam metal é bem mais técnico e melódico que o Grunge.
11 fev 11 às 22:11
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20 jan 12 às 18:49
puts,é por isso que só escuto os dinossauros,ter que atravessar o tempo e escutar bandas que não vão acrecentar nada de novo ao rock ,é foda.
pra mim ainda hoje escutar black sabbath,deep purple,led zeppelin,the who,blue oyster cult,bto,grand funk railroad,budgie,riot,rainbow,e milho~es de bandas excelentes da decada de 70,é como se eu estivesse escutando pela 1° vez.
me chamem de saudosista,me chamem de velho,de ultrapassado,mas não dá pra engolir o que chamam de rock da decada de 80 pra cá.
convido a todos que não conhecem,a escutar qualquer banda da decada de 70,a internet está aí pra isso,e descobrirem que tudo que veio depois delas,soa como plágio musical.
6 dez 12 às 14:27
Nirvana não acrescentou nada ao mundo da música? Nossa, só rindo mesmo de um asno como esse. Tenho uma raiva desses saudosistas (se bem que muitos deles não tem nem 20 anos na cara) que só ouvem bandas dos anos 60 e 70 e gostam de falar mal das que vieram depois, mesmo não conhecendo praticamente nada sobre elas. E depois ainda querem falar que os outros são posers. O passatempo preferido desse povo é esse. Falar cheio de saudosismo no coração das bandas clássicas dos anos 60/70 e chamar de poser quem escuta Nirvana, Guns ‘N Roses, ou qualquer outra banda pós anos 70. Quem será que é o poser nessa história, hein?