Iron Maiden no Brasil: Um show, uma história.

Iron Maiden em São Paulo

15 minutos depois que deixei o Morumbi, estava exausto, com fome e com muita dor nas pernas. Pela frente ainda um longo caminho a pé até encontrar algum táxi disponível. Mas nada disso importava, a sensação incrível de ter visto de perto, e bem de perto, uma das maiores bandas do heavy metal era maior.

Cheguei no estádio não muito cedo, por volta das 18h. Do lado de fora o clima era bem tranquilo, sem filas para entrar pela pista premium. Já dentro do estádio me deparei com arquibancadas e cadeiras bem vazias pelo horário, mas a pista normal e premium já estavam cheias.

Foi o tempo de arrumar algum lugar mais próximo do palco para que as pessoas que estavam sentadas se levantassem já com medo de perder as valiosas posições que tinham conquistado, mal elas sabiam o que estava por vir.

Poucos minutos antes do horário previsto, 19h30, a banda Cavaleira Conspiracy começou seu show. Depois de tocar algumas músicas do seu último álbum, Max Cavaleira começou a pedir que na pista abrisse uma roda de mosh. Desejo realizado. Uma grande roda se abriu no meio da pista premium, gente que estava feliz de estar perto do palco durantes horas, em poucos segundos não estava mais.

Esse é o quarto show do Iron Maiden que assisti, e desde que começou a moda das pistas premium os shows em frente ao palco sempre foram tranquilos, namorados com namoradas, pais com filhos, enfim, um clima mais light do que se espera de grandes shows de metal.

Mas quando a banda Cavaleira Conspiracy tocou clássicos do Sepultura isso mudou na hora. Apesar de ter sido ruim para muitos, isso fez com que eu chegasse bem perto da grade, tão perto que as outras rodas de mosh abriam atrás de onde eu estava. Olhei para trás e as arquibancadas, antes com poucas pessoas, agora já estavam lotadas, todo Morumbi muito cheio.

Chegou o fim do show de abertura, agora era só aguardar a equipe dar os toques finais no palco para o que realmente importava. Uma confusão de horário tomou conta, alguns falavam que o show seria às 21h e outros às 21h30, horário que estava no ingresso.

Surpreendendo muitos, exatamente às 21h04 começou o clássico Doctor Doctor que sempre toca no início das apresentações da Donzela. Depois foi a vez de passar um vídeo muito bem produzido nos telões com a música Satellite 15. Bem produzido, mas o que se ouvia das pessoas presentes era como o discurso do Winston Churchill no começo de Aces High da última turnê era incomparável.

Depois da longa introdução, finalmente começou “The Final Frontier” com a banda entrando de uma vez no palco, como em todo show, são os momentos mais insanos, onde quase não dá pra prestar a atenção no som, mas sim em tentar ficar em pé e ver os integrantes pela primeira vez. Quando olhei pra frente só vi correndo em minha direção e pulando com as duas pernas no ar, no auge dos seus 52 anos, ninguém menos do que Bruce Dickinson, mais a direita estava com seu poderoso baixo metralhando o público, Steve Harris. É quando cai a ficha que o Iron Maiden de verdade está na sua frente, daqui pra frente era só emoção.
Depois de ‘El Dorado’ e do clássico ’2 Minutes to Midnight’, finalmente as coisas começaram a se acalmar e o som já estava bem regulado. Foi a hora que Bruce Dickinson conversou pela primeira vez com o público e disse que tinha uma grande surpresa para a noite. Curioso? Nós também ficamos.

Músicas novas, clássicas, do início dos anos 2000, não importava, os guitarristas Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers conseguem uma sintonia de solos impressionante. O baixo de Steve Harris pesado e alto todo o show, Nicko McBrain quase não aparecia atrás de tanta bateria, mas bastava levantar um pouco para o público ovacioná-lo.

‘Dance of Death’ lembrou meu primeiro show do Iron Maiden em 2003. Em ‘The Trooper’, o estádio enlouqueceu novamente. ‘Blood Brothers’ além de perfeita, foi dedicada aos fãs japoneses pelo terremoto que cancelou as apresentações da banda naquele país.

Queria destacar uma outra música que fez todo mundo cantar por 10 minutos seguidos, a nova ‘When the Wild Wind Blows’, fantástica na versão de estúdio e ao vivo, já nasceu como um clássico. E a surpresa que Bruce havia prometido? As coisas começaram a ficar diferentes quando o Eddie entrou em ‘The Evil That Men Do’ e andou por todo palco, muito bem feito e articulado.

Depois de ‘Fear of the Dark’, que dispensa comentários sempre, começou ‘Iron Maiden’, o hino da banda. De repente, dedos gigantes apareceram ao fundo do palco e quando todos perceberam a surpresa foi revelada, um enorme Eddie de 8 metros levantava por trás da bateria, incrivelmente bem feito e detalhado, pela primeira vez foi usado na turnê, sua estréia foi em São Paulo.

Pra terminar, queria falar do clássico que fazia tempo que a banda não tocava, ‘Running Free’, que já começou personalizada: “Spend the night in São Paulo jail”. Foi durante a música que Bruce apresentou a banda e apontou para a guitarra dourada de Adrian Smith, contanto que era uma guitarra histórica, porque foi com ela que Adrian compôs ‘Flight of Icarus’ em um banheiro nos Estados Unidos. Eu ria muito enquanto Bruce afirmava que a história era verdadeira.

Mais uma surpresa no final quando Bruce disse que este show tinha sido gravado para ser usado em um novo material ao vivo da banda. Tudo lindo? Não, achei a resolução dos telões fraca em comparação aos últimos shows internacionais no Brasil, a produção do palco era bem mais simples do que da última turnê, Somewhere Back in Time, mas quem se importa? Haviam três pessoas que me separavam da grade desse grande show, o resto é resto.

Set list completo:
1. Satellite 15… The Final Frontier
2. El Dorado
3. 2 Minutes to Midnight
4. The Talisman
5. Coming Home
6. Dance of Death
7. The Trooper
8. The Wicker Man
9. Blood Brothers
10. When the Wild Wind Blows
11. The Evil That Men Do
12. Fear of the Dark
13. Iron Maiden

Bis:
14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free

Contribuição do Bruno Belo, que é fã do Iron Maiden e nas horas vagas, redator publicitário.

2, Comentários para, Iron Maiden no Brasil: Um show, uma história.

  1. thiago - Comenta:

    Nossa Bruno, texto muito bom. Imortalizado aqui no blog essa passagem do Iron. De arrepiar.
    Amanhã tem resenha do Ozzy!!

  2. rapaz up the iron - Comenta:

    iron maiden e demais vei os caras sao de mas iron iron iron iron iron iron maiden \,,/ up the iron

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